quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Descobri a Máquina do Tempo!

















É isso mesmo! Você não leu errado! Eu descobri! Não, eu não sou o Doc do "De volta para o futuro".
Foi um dia desses, lá em casa.
Tá! Tá! Calma! Não roa as unhas e nem arranque os cabelos! Eu vou te contar como fazer uma dessas só pra você. Sim, porque é mais fácil do que você está imaginando! E com ela a gente pode tudo!
Pode, por exemplo, voltar a usar aquela roupa que você amava quando tinha 15 anos! Ou então sentir o cheiro daquele bolo que sua mãe fazia, lembra? É! Aquele com cobertura de chocolate! Humm...Tô sentindo daqui!
E o cabelo? ahahaha...gente! Era bem diferente seu cabelo, fala a verdade? Eu sei, era moda. Com essa máquina ainda dá para relembrar aquelas piadinhas sem graça que aquele seu primo, mais sem graça ainda, contava nas festinhas de aniversário! E como os brigadeiros eram mais gostosos, né? Eles tinham uma receita diferente, vinham sem culpa, colesterol alto ou espinhas! Não era fantástico? Era só comer. E muito!
Dá para rever todas aquelas paqueras do colégio! E as cartinhas..tão inocentes...que saudade. ha! Dá até para matar as saudades de quem já se foi.
Ok! Estou vendo que está impaciente querendo saber como adquirir esta maravilhosa engenhoca, não é? É simples meu caro. Lá vai: Uma tonelada de... hahaha..brincadeira!

Vá para um lugar de que goste muito, ou que te dê espaço suficiente para dar boas gargalhadas, cantar, se envergonhar e até chorar se for necessário. Agora coloque aquela música, daquela época, daquele ano onde você foi muito, mas muito feliz! Aquela que você não ouvia há tempos! Que você nem se lembrava mais! Que algumas pessoas hoje em dia acham brega ou boba, sabe? Quem nunca suspirou por aquele cantor que era um gato e hoje é um lobo e tem um programa nada a ver na TV, ahá!? Haaa... e aquele grupo ou conjunto ou, dependendo da época, boyband, que arrasava com seus arranjos vocais e suas dancinhas maneiras que você vivia tentando imitar, quebrando alguns vasos da sua mãe? (Experiência própria, confesso.)

Tem algo melhor do que relembrar coisas boas assim? Ligarmos a máquina do tempo, que nada mais é do que despertar a memória adormecida. Esquece um pouquinho aquele vendaval que está lá fora e dedique um tempo pra você, só você.

Em tempo, essa máquina pode ser construída com um perfume, um livro, uma bala, um abraço. É só começar e não parar mais! Você não tem mais aquela música? Vou quebrar seu galho, clica aqui ou aqui.

Boa viagem!!! Ha! E não deixa de me contar o que achou dela tá?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Barceloka!








Por Cinthia Vendrusculo


Barcelona, Barça, como dizem por aqui, também pode ser Barceloka ou ainda Bracelona, Francelona, e tantos outros sufixos e prefixos de tantas outras nacionalidades.

É praticamente impossível voltarmos a ver uma mesma pessoa. A não ser o peladão que caminha vez em quando pela famosa "Rambla". Não há nenhuma lei que impeça o nudismo. Se bem que há outro que tem o corpo tão tatuado que nem parece que está desnudo… Aí não vale! Rs…

No cruzamento de uma rua com outra se pode escutar português (do Brasil e de Portugal), francês, árabe, italiano, indiano, chinês… É bonito, mas ao mesmo tempo amedrontador. Percebemos, depois de um tempo por aqui, que turista é pior que calouro quando ingressa na universidade. Quedam-se a se deslumbrar com tudo. Desde edifícios históricos até um babaca que fica na Rambla com uma placa: "me ajude a ganhar a vida dormindo".

Percebemos também que aprendemos muito mais de nosso próprio país. As pessoas perguntam coisas que você nunca parou para pensar! Coisas banais como: uma comida típica brasileira. É o Feijão com arroz - que comemos todos os dias; o acarajé – que não tem em mais nenhum outro lugar do mundo (quer mais típico que isso?); ou o churrasco que qualquer brasileiro, em qualquer canto não abre mão! E assim paramos para refletir sobre outros assuntos mais...

É nessas horas que realmente nos damos conta da imensidão que é nosso país! E também de como somos explorados… Visto que o euro é, oscilando para mais ou para menos, 2,50 (Dois reais e cinqüenta centavos). Percebemos que aqui se come mais barato, se veste mais barato e se viaja pro resto do mundo a preço de uma viagem Ribeirão Preto – São Paulo, cerca de 50 reais.

Estava conversando com o garoto que mora comigo e ele falou que em seu primeiro ano de faculdade acabou não conseguindo estudar. Que então arrumou um emprego num restaurante como lavador de pratos e depois, com a grana que lucrou, foi pro Marrocos e outras partes mais! What the fuck?! Alguém já viu um brasileiro que ganha a vida lavando pratos viajar para praia mais próxima??? Não conseguimos comer com um emprego desses! Isso é revoltante.

Outra coisa é a imagem dos negros. No Brasil, salvo o nordeste pela forte cultura negra, o olhar deles não é digno como os dos negros daqui. Posso estar equivocada; mas a impressão que tenho é essa. Os negros brasileiros tem olhares baixos, reprimidos. Aqui, não sei explicar, mas não é igual. Percebo como é forte nosso racismo, nossa repressão e opressão.

Isso também é valido para as mulheres. É impressionante como as mulheres brasileiras cultuam o corpo e fazem disso sua vitrine. Só de olhar já sei quem é brasileira e quem não é. Paro então para refletir como nosso machismo ainda é pré-histórico.

Por outro lado as pessoas aqui não querem compromisso pelo simples fato de se relacionarem mais fortemente e…se apaixonarem de verdade. Têm medo! Medo de se comprometer, de dividir, de compartilhar, de ser feliz com outra pessoa. O individualismo é extremamente forte…

Bom; mesmo não podendo fugir de tantas reflexões – em maioria subjetivas – que me deixam imbuída de um profundo sentimento nacionalista; Barcelona exibe suas graças. A música e a dança flamenca, bem como dos cantores de rumba, salsa e tchá-tchá-tchá são encantadores. É curioso o porquê de todos os cantores de flamenco serem roucos. Perguntei então para um amigo espanhol, e ele me respondeu que a rouquidão é: sinônimo de emoção. Que a característica mais forte da música flamenca é o sentimento. De fato, todas as músicas falam de amores não correspondidos, o que para nós seria interpretado como musica brega ou, mais chutando o pau da barraca, musica de corno.

Acontece que realmente a emoção toma tão fortemente o cantor que de fato é belíssimo de ver e agradável de escutar, mesmo compreendendo a letra melancólica. E a dança segue como a música. As dançarinas e os dançarinos impõem uma postura corporal tão impecável que até as crianças quando olhamos aparentam maduras e com opiniões formadas. É inexplicável…

Há uma música deste estilo que expressa bem Barcelona. Na composição de um cantor chamado Gato Perez, Barcelona pode ser traduzida em barco, céu e onda, jogando com as palavras em catalão… É muito graciosa.

Falando em Catalunha, este é outro ponto importante! Existe uma forte discussão sobre a independência da Catalunha. Seria assunto para outra hora; mas em suma, o cerne da questão é que os catalães acreditam que poderiam ser independentes da Espanha, produzir riquezas e ao final o país distribui igualmente a todos os Estados e não proporcionalmente…

Lutam pelo fortalecimento da língua catalã, pois o castelhano invade as ruas pouco a pouco com o turismo, mas, por fim, esquecem que é o turismo que favorece o "barateamento" do comércio e que sustenta, de certo modo, o bom nível de vida das pessoas daqui.

Enfim. Voltemos a falar dos encantos de Barcelona. Para quem aprecia arte, a cidade não deixa a desejar. São incansáveis artistas de rua e espetáculos diversos para todos os públicos. Dança, música, circo e teatro. Espetáculos acessíveis e normalmente de alta qualidade. Penso, por exemplo, que tudo o que o Estado inteiro de São Paulo investe em Cultura é equivalente ao investimento somente de Barcelona. Sempre há concertos e grandes eventos devidamente divulgados. Dentre esses estão as "Fiestas Majores". Festas típicas de cada "pueblo" as quais apresentam o que de mais tradicional a Espanha conserva. São belíssimas.

Mas para quem busca coisas mais cosmopolitas aqui também é o lugar. Miró, Dali, Picasso e museus para preservá-los e nos apresentar outros artistas e culturas diversas são o que não faltam. Em especial, as obras arquitetônicas de Gaudí saúdam toda a cidade. A catedral da Sagrada Família assegura sua imponência. Deveria existir um verbo para tamanha genialidade. "Gaudiando" poderia expressar qualquer ação demasiadamente ousada. Porque foi justamente isso que fez. Usou, abusou e ousou com sua arte.

Dentre museus, parques, teatros e muita cultura e história encontram-se ainda os grandes castelos. Todavia, mais impressionante que essas grandes construções são os castelos humanos. Os "Castellers" representam uma cultura que não tenho palavras pra expressar quão forte é a emoção que nos toca ao presenciarmos seus espetáculos. Se tiverem a oportunidade de procurar pelo youtube... Imaginem uma grande figura acrobática. Uma figura que não é formada por menos de 40 pessoas. Formam uma imensa base e desta base erguem-se pouco a pouco alturas de um, dois, três ou quatro pessoas por vez. Alcançam até nove pisos. A emoção é tamanha que chegamos a chorar. Há alguns castelos que são firmes e estáveis, porém outros que seguram a instabilidade do inicio ao fim. Estes nos fazem mais arrepios. Contudo, todos estão propensos a desabar. Quando caem, temos a sensação de termos nos jogado em um rio congelante onde o frio transpassa nosso corpo e alma por alguns segundos.

São encantadores porque a cada apresentação reúnem-se milhares de pessoas nas praças, parques ou ruas e cada espetáculo parece ser único. Olhando de cima representam imensas mandalas imbuídas de muita energia. Para mim, formam a mais bela obra de arte que a Catalunha oferece. Simplesmente incrível.

Bom, há tanta coisa ainda que possa escrever; mas não quero ser muito extensa. Portanto, vou ficando por aqui. Gostaria então de finalizar dizendo que entre tantos encantos e realidades não tão impressionantes, tenho ganas do Brasil. Sinto falta do relacionamento que cultivamos com as pessoas. Falta-me o carinho que damos e recebemos sem esperar nada em troca. Sem dúvidas as condições de vida daqui são superiores. No entanto, o calor do brasileiro é incomparável. Essa experiência será inesquecível, mas, principalmente, essencial. Essencial para olhar com outros olhos coisas que antes pensava ser comuns... Espero que tenha sido agradável de ler esse texto e que saibam que a pesar da subjetividade, tentei expressar da melhor maneira possível as coisas que vivenciei e a impressão que tirei.

"Salud" a todos!


terça-feira, 29 de julho de 2008

Recebo muitos e-mails... Mas um, em especial, me chamou a atenção. Todos ao meu redor sabem que sou apaixonada por animais. Cães, em especial. São exemplos a serem seguidos. Como amigos que devemos ser, como gratos devemos ser por termos um lar, uma família e alimento. E hoje um deles nos ensinou mais uma lição...de superação! Aprender com as dificuldades e nos tornarmos ainda melhores!!! Gerson, obrigada pelo e-mail!





domingo, 27 de julho de 2008

Vamos todos cantar de coração!!














Vídeos para nos orgulhar:
- Especial Seleção Canarinho
- Homenagem aos meninos do vôlei e Ouro no Pan
- Ginástica Olímpica Brasileira

Não! Apesar do título, este post não veio falar do glorioso time cruz-maltino Vasco da Gama, nem do Campeonato Brasileiro. Apesar de render debates acalorados, o futebol é mais do que 22 homens e uma bola. E quando falamos sobre Seleção Brasileira, seja de qual esporte for, a história vai além. É a união (ou deveria ser) de pessoas de todos os tipos, credos e raças; de patriotismo e um ideal em comum. Patriotismo? Han?

Já faz algum tempo que realizei um desejo: comprar a nova camisa da seleção brasileira de futebol. Não via a hora de tirá-la do armário. Ha! Aquela amarelinha é poderosa... Penta campeã mundial! Sem falar de outros títulos conquistados. Vai usar uma camisa dessa lá no Japão, ou nem muito longe, nos Estados Unidos para você ver, o sujeito ganha moral na hora (como diz Juscelino, porteiro do nosso prédio). Ela estava lá, dobradinha, só esperando o momento oportuno, quando finalmente chegou. Dia 6 de Fevereiro, contra a Irlanda, na capital daquele país.

Acordei animada e antes mesmo de tomar café já estava com a canarinha vestida. Eu nasci e cresci em uma família nos padrões antigos. Minha avó paterna teve 9 filhos, que tiveram mais 3 cada um. Minha mãe tem mais 4 irmãos, e 5 sobrinhos. You do the Math! Copa do Mundo é o acontecimento do ano, onde todos (todos mesmo) se reúnem e levam suas esposas e de quebra, de vez em quando, um vizinho ou parente. Ai vem o churrasco, a pipoca, e os gritos, claro! Na Copa de 1994 meu tio abraçou minha tia tão forte que trincou as costelas, minha gente!! Sempre tivemos muito amor pela seleção. Seja ela qual for. Ganhando ou perdendo. Do primeiro jogo à final. De Pelé a Ronaldinho. De Giovane a Giba. E foi justamente com a camisa do gaúcho que tomei meu café e fui pra rua, feliz e saltitante, naquele dia.

Não pude acreditar. Por onde quer que eu olhasse não havia ninguém, mas ninguém mesmo com uma camisa. Nem que fosse da Copa de 1994. Nem verde-amarela, nada. Como poderia ser? Para não dizer que não falei das flores, tinha um homem no metrô com uma. Escondida em baixo da jaqueta jeans. De certo estava constrangido por ser o único colorido dentre o mar de ternos, gravatas e formalidades que esta cidade exige.

Aqui eu ouço fogos nos gols do Palmeiras, São Paulo e até Portuguesa. Mas não houve um dia, um jogo em que os sinos tocaram para uma vitória da Jade Barbosa, um jogo de vôlei ou de basquete.

Já dentro do metrô fui observada por todos. Fiquei imaginando os pensamentos daquelas pessoas.
Primeiro de um cara. Escondido atrás do boné e dos óculos, com uma camisa pólo com o nome da empresa em letras garrafais: - "Tadinha mano...essa ainda acredita."
Depois de uma super, mega, hiper fashion menina de 10 anos com cara de desdém: - "Nossa...amarelo? Que brega."
E por fim de uma senhorinha, com um jornal na mão, que assim que me viu foi logo para as páginas de esporte: - "Gente, a Copa do Mundo é esse ano?"

Imagine então quando eu soube que quatro jogadores de basquete foram convocados para a seleção e disseram não. NÃO! Você já viu ou ouviu dizer que Oscar Schmidt disse não? E o Pelé? Será que acordou um belo dia e falou: "Ha não...não quero jogar na seleção não."

E na Copa América? Ano passado? Ronaldinho e Kaká não quiseram jogar, estavam cansados da temporada. Patriotismo? Han?

Cadê a raça? A "pátria de chuteiras"? Será que o exôdo de jogadores (futebol e basquete) ainda adolescentes para times da Europa ou América do Norte fazem deles maiores do que realmente são? Ou será que existe muita coisa por trás, ou melhor, por cima, nas diretorias e coordenações destas seleções que desanimem por completo o ânimo destes atletas de servirem seu próprio país?

Bom...isso já é assunto para muitos outros posts!

Eu tenho do que me orgulhar! E vou continuar patriota e mais verde-amarela do que nunca! Por mim, pela senhorinha do metrô e por todos aqueles que ainda acham que Lula Ferreira é o presidente, Bernardinho o cantor de funk, Jade Barbosa a dançarina e Parreira um simples pé de uva.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Todos estão cansados da situação, Mas não ousam falar contra as leis da nação!

Kiko Zambianchi


Links Interessantes: Abuso online contra crianças cresce 400%

Treze milhões de crianças mortas de fome em um ano


Eu não queria...juro que não! Não queria mesmo escrever sobre isso aqui. Desde o começo eu repudiei quem ficasse de campana esperando novidades ou levantasse cartazes a respeito do caso. Pois sempre soube que o caso Isabella Nardone não era/é um fato isolado. Claro, não é todo dia que vemos crianças serem jogadas pela janela. Mas também não é novidade notícias, nem denúncias sobre crianças estupradas, mortas, torturadas, etc., etc. Ou é? Ou será que é normal trancar uma filha por décadas em um porão? Ou matar a enteada e enterrá-la no quintal? Se fosse enumerar todos os absurdos que vemos nos noticiários faltariam linhas. Talvez o caso Nardone seja um grito, um concentrado de todas as escabrosidades reunidas. Uma maneira de indignar-se com tudo e todos de uma vez só.

Agora pouco (07/05 às 23h) o pai e a madrasta foram levados às respectivas delegacias onde ficarão presos até julgamento. Na porta do prédio onde eles estavam haviam mais de 10 viaturas da polícia. Tinha mais curioso gritando e dando tchauzinho para a imprensa do que torcedor no jogo do São Paulo contra o Nacional, pela Libertadores. Sério!

E dá-lhe flashes ao vivo nas principais TVs. Repórteres e cinegrafistas disputando o melhor lugar, o melhor ângulo. Todo mundo acompanhando minuto a minuto, só pra ver a cara dos dois dentro do camburão. E, saindo do "plantão", da narração séria, os apresentadores e narradores voltam a programação normal: "E esse foi o trajeto até a delegacia (...) VOLTAMOS AGORA COM O FUTEBOL!!!!! :)" (Cleber Machado) e " Gente...tá ai a Tropa de Elite (??????), quer dizer o GOE (!!!) VAMOS AO DESFILE DE LINGERIE" (Luciana Gimenes).

Fazendo uma retrospectiva de dois meses a gente percebe o circo que virou. O dia do acontecimento, a avó de Isabella gritando que queria justiça contra o mostro que fizera mal à sua neta, quando mal sabia que era próprio filho; O dia em que, em uma entrevista exclusiva, Alexandre e Ana Carolina juraram que eram inocentes e contavam do amor pela menina; A conclusão da perícia e a confirmação de que eles eram os culpados da morte da menina. Sabe o que parece? CSI.

Posso falar? Foi arrepiante, credo. A solidão na multidão. No porta malas, (ou seria porta presos??) os dois. Que jogaram a vida fora... Deles e da família... Daquela avó, que queria justiça, e que agora é a mãe que vai passar o próximo domingo não muito diferente de sua ex nora.

domingo, 4 de maio de 2008

E viva a Diversidade!














Av. Paulista em 1891, em sua inauguração. E pensar que tudo começou assim...

Links Interessantes: Paulista

Todo mundo fala que tudo na vida tem dois lados (até eu). Mas São Paulo têm vários! E não e difícil perceber isso, difícil é conhecer todos. Hoje, típico de domingo, quase nada pra fazer e depois de estudar um pouquinho resolvi dar uma volta na Av. Paulista, comprar umas revistas, jornal, essas coisas. No caminho me senti em um daqueles clipes da Madona, que aonde ela vai passando todos os tipos de coisas e pessoas estão pelo caminho...lembra? Está bem friozinho por aqui, e isso motiva às pessoas a darem uma volta, e aos vendedores ambulantes a venderem mais ainda. Logo subindo a Alameda Campinas já dou de cara com os chilenos! Que são comuns nesse pedaço, com seus tecidos coloridos e bijouterias para vender. Andando mais um pouco, em baixo do Masp a feirinha de antiguidades, e tenho que confessar que recomendo. Tem de tudo lá! De lustres do século passado até cartazes de futebol da mesma época. Logo à frente, mais chilenos. Tem também indianos, peruanos, e por ai vai. Cada um vendendo um tipo de coisa. E coisas bem interessantes eu diria. Engraçado que fica tudo de um lado da calçada; do lado direito para quem vem de Paraíso sentido Av. Doutor Arnaldo.

Personagens é o que não falta. Andando contra o sol quase pisei no trabalho de um senhor. Aparentando 45 anos, branco, barba serrada, ele estava sentado em frente a alguns cartazes, amarelo e branco, de cartolina. Estava fazendo sua própria poesia, ali no meio da calçada. Textos bons. Pena que não decorei nenhum para dizer aqui. Em troca, quem contemplava tal arte poderia deixar uma moedinha para ajudá-lo. Outro personagem interessante foi um palhaço. É, um palhaço mesmo, nariz vermelho, sapatão vermelho e branco e uma placa assustadora que dizia: "Você compra e eles matam". Sem sentido? Não quando olhamos a foto que estampava o tal cartaz. Vários bois e vacas mortos em frigoríficos, pendurados de cabeça para baixo, cheios de sangue. Para que isso? Vou te contar onde ele estava. Em frente ao BOB'S.

Antes de chegar ao meu objetivo me deparei ainda com mais barraquinhas de chilenos, bijuterias, artesanato, roupas, cds, dvds, etc.

Chegando ao shopping, tive uma ótima surpresa. O que antes era uma feira temporária cresceu, e se transformou em permanente. É algo fantástico. São roupas, bolsas, chinelos, quadros, etc...
Peças únicas! Nenhuma igual a outra. Vou explicar melhor. São estilistas, artesãos, pintores, escultores e costureiros que fazem e vendes suas obras. São grifes e marcas próprias. Coisas lindas e peculiares. Tudo de muito bom gosto. E lotado de gente!

Para quem gosta de Pop Art tem um espaço muito bacana. Atores e cantores antigos estampados em todo tipo de peças de decoração: relógios, baús, caixas de madeira, etc. Quando eu vi o relógio de parede com a foto do Elvis estampada no vinil e ponteiros de prata, sai literalmente correndo! Porque se eu gastasse mais um real lá era divorcio garantido!! E ainda tinha que voltar pra casa para ver a Ponte Preta ganhar o Paulistão (antes não tivesse voltado!rs).

Cores, perfumes e sabores. São Paulo é a terra da diversidade. Impossível não se misturar e amar tudo isso!

PS: O Shopping fica em frente ao Conjunto Nacional.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A cidade onde (quase) ninguém para!!
























Links Interessantes: Revista da Folha
Revista Super Interessante

Saí da cama cedo. O trânsito aqui não nos deixa dormir tanto. E a consciência pesa quando lembro que ainda tenho muito coisa para estudar, concurso não é fácil. Sempre que posso vou à padoca da esquina. Servem um bauru muito bom por lá. Enquanto dava a primeira golada no suco de laranja, entra uma mulher muito bem vestida, aparentando ter uns 38 anos, com mais ou menos 1,70, cabelos a lá Hebe Camargo, e cheia de papéis em mãos. Sentou, pediu um expresso e começou a conversar fiado com o dono do estabelecimento que estava no balcão. Falavam sobre tudo. Não sou xereta não. Eles é que estavam falando em alto e bom som. Somente nós estávamos no local. Até que falaram sobre o tempo, "Pelo jeito vai chover o feriado todo!", praguejava a dona, que iria trabalhar e pra ela pouco importava se fizesse sol ou chovesse canivetes. Concordando com ela o comerciante engatou uma crítica, "Eu também vou trabalhar. Não sei que mania é essa desse pessoal querer emendar tudo que é feriado! Eu não concordo. Aqui, por exemplo, não tem isso não. Todos trabalhamos. No Carnaval todo mundo trabalhou."


Eu já olhei para o rosto dos atendentes por trás do balcão. Não eram as melhores caras que já vi. Rs. E eles continuaram, "Pois é! Se já não bastasse o tanto de feriados que têm, a Marta (Suplicy) ainda inventa um Dia da Consciência Negra. É o fim da picada!" exclamou a mulher, que saiu levando seu papeis, bolsa e laquê a prova d'água.

Meu caro, veja bem. Como a maioria das coisas, esta discussão tem duas vertentes. Uma é a paralisação comercial e empresarial por conta dos pontos facultativos entre feriados e fins de semana. Outra é a lucratividade do turismo, entretenimento, e derivados. É a desconcentração do capital. E mais, algumas empresas adotam o rendimento e alcance de metas de seus funcionários como prioridade, ao invés de obrigá-los a trabalhar 8 horas por dia, 5 dias por semana. Trabalhou bem, cumpriu metas e prazos? Ótimo.

É complicado saber e discursar sobre esse assunto. Ainda mais quando relacionamos empresários, comerciantes, ou seja, patrões. Admiro quem tem jogo de cintura para lidar e administrar bem tudo isso.

Na revista Super Interessante deste mês li uma matéria muito bacana. Apesar de (para mim) esta frase ser redundante, gosto de todos os assuntos da revista. Um escritor inglês, Tom Hodgkinson, tem uma ideologia bastante interessante: "O importante é não fazer nada". Calma, ele não é nenhum adepto da vagabundagem, nem do ócio puro e simples. Mas ele acha que se fizermos a vida mais simples, sem supérfulos, luxo desnecessário, e trabalharmos apenas o necessário para a sobrevivência em uma vida simples e confortável, é o suficiente. Sem a pressão de nascer estudando, crescer pensando que é preciso passar em uma faculdade, arranjar um emprego, fazer fortuna e aposentar. Concordo por um lado e discordo por outro. Concordo quando ele fala que esta pressão tira, e muito, alguns prazeres de viver, como a vida em família, o crescimento dos filhos, o envelhecimento saudável... Tenho dois exemplos em casa, de dois tipos de pessoas. Um trabalhou a vida toda no mesmo lugar, ganhou dinheiro, criou as filhas e hoje curte uma aposentadoria muito quista, bem sucedida e planejada com calma e sem pretensão de milhões na conta. Outro que trabalha muitíssimo, vive para trabalhar, e ainda vai trabalhar muito! Porque tem metas, vontades e anseia por uma ótima vida. Porém, vai ter que se privar de muitos "prazeres" para que tudo se concretize. São dois lados, duas gerações e culturas diferentes. Cada um vive (viveu) de acordo com o que a sociedade impõe.

E é então que eu volto à senhora do laquê. Folgar no feriado prolongado é um direito ou um abuso do trabalhador? Sinceramente? Não sei. O que VOCÊ acha?